SÍMBOLOS NATALINOS

 Ir. M. Crisóstoma Stoffel (CSC)

Diante dos símbolos de Natal, surgem duas dificuldades que necessitamos superar. A primeira é a comercialização e secularização da Festa de Natal. A segunda, reside no uso dos símbolos de Natal que encontram sua origem nórdica da festa e da maioria de seus símbolos.

A data do nascimento de Jesus Cristo foi fixada no dia 25 de dezembro no hemisfério norte. É o início do inverno. Nessa data celebrava-se em Roma a festa do deus sol invicto. O dia começava a vencer a noite, a luz dissipava as trevas. Ora, Jesus foi visto como o Sol nascente do Alto, como Luz do mundo. A festa cristã do Natal veio, pois, substituir a festa do deus sol invicto, sendo que Jesus é o verdadeiro Sol. 

Compreende-se, então, que a maioria dos símbolos de Natal esteja ligada a estes dois aspectos: a vida que resiste no inverno, simbolizada pelo verde, e a luz. Trata-se da festa da vida. 

Mesmo assim, podemos e devemos encontrar neles um sentido cristão, pois apontam para algo que vai além do nosso horizonte de compreensão. Os símbolos de Natal querem conter, ocultar, revelar e comunicar o mistério do Natal, o Cristo que continua nascendo hoje.

A coroa de Advento simboliza Jesus, o Rei. Os elementos principais são o verde e a luz. Trata-se de uma coroa, em geral de ramos de abeto ou cipreste, enfeitada por 4 velas e, eventualmente uma fita vermelha. As velas são progressivamente acesas nos 4 domingos do Advento.

A coroa simboliza o triunfo e a recompensa pela vitória conquistada. O círculo quer simbolizar o tempo, desde a criação do mundo até o fim dos tempos e as velas, a luz do mundo iluminando sucessivamente a história. A 1ª vela da coroa do advento representa o tempo da criação; a 2ª vela, a ação libertadora de Deus, na história do povo de Deus, no Antigo Testamento; a 3ª vela, a encarnação do próprio Deus na história, em Jesus Cristo; a 4ª vela simboliza Jesus Cristo presente na história da Igreja e da humanidade até o fim dos tempos.  A fita vermelha é expressão do amor de Deus para com a humanidade, e o verde, que não se desfaz, e a luz, expressa pelas velas, representam a vida de Deus na história da humanidade. As 4 semanas do Advento representam as diversas manifestações de Deus na história, preparando sua vinda nas comemorações do Natal.

O personagem do Papai Noel foi inspirado no bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava a bolsa com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Sua transformação natalina aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo. Nos Estados Unidos, a tradição do velhinho de barba comprida e roupas vermelhas que anda em trenó puxado por renas, ganhou força. A figura do Papai Noel que hoje conhecemos foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper´s Weekls, em 1881.

Os presentes de Natal figuram o presente máximo, o dom de Deus, que é seu Filho e que nos foi dado como Irmão primogênito. A troca de presentes, também, está relacionada aos reis magos que trouxeram presentes para o menino Jesus (Mt 2,11).

O presente leva a pessoa a tornar-se simbolicamente presente na vida do outro, através de um gesto de bondade, de partilha, dando algo de si mesma. Por isso, o presente vale pelo seu significado. É símbolo: contém e expressa a presença de alguém na vida da outra pessoa.

O presente, como símbolo de Natal, reside em Deus, que se faz presente na vida da humanidade, através de seu Filho, Jesus Cristo.

Árvore de Natal. A primeira referência de uma árvore de Natal é do século XVI, na Alemanha, onde as famílias ricas e pobres decoravam árvores com papéis coloridos, frutas e doces. Ela também é originária do hemisfério norte, onde se celebra o Natal no inverno. Com a colonização alemã este costume se espalhou pelo mundo. As árvores eram enfeitadas no Natal para simbolizar a entrada da primavera, tempo das flores. 

A árvore de Natal representa a vida, uma nova etapa, tempos de colheita de bons frutos. Por esta razão, neste século, o pinheiro foi eleito a arvore do Natal, pois é a única árvore que não perde folhas em nenhuma estação do ano, estando sempre verde, sempre viva.  Há toda uma simbologia bíblica da árvore, do Paraíso à Cruz, intimamente ligada a Cristo, que bem pode ser restaurada e relembrada. Ela tem um profundo sentido, sobretudo quando a família se reúne em torno dela para comemorar o aparecimento da Vida e da Luz do mundo através da leitura da Palavra de Deus, da oração, do canto e da confraternização pela troca de presentes.

As velas simbolizam a luz que veio ao mundo com o nascimento de Jesus, como lemos no profeta (Is 9,1): “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso”. As velas, agora substituídas por lâmpadas ou pisca-piscas, são um importante símbolo do Nascimento de Jesus, que

é a Luz do mundo. Uma vela acesa além de simbolizar a Luz de Jesus, é um convite para que todos se tornem luz, alegria e felicidade para os outros. Isso exige, a exemplo de Cristo, a doação de si mesmo, como a vela que se consome ao iluminar.    

 A origem dos Cartões de Natal se deve a um jornal de Barcelona que, em 1831, inaugurou o uso da litografia no jornal, imprimindo um cartão para desejar um Feliz Natal a seus leitores. Este costume espalhou-se com rapidez, usando litografias onde deixavam um espaço para escrever algumas palavras. Em 1970, a introdução da cor nesta técnica revolucionou este tipo de Cartão de Natal. Por outro lado, costuma atribuir-se ao inglês Henry Cole a confecção do primeiro cartão, em 1843, com os dizeres: “Feliz Natal e próspero ano novo”.

A estrela aponta para o Messias, descendente do rei Davi. Evoca o astro luminoso que conduziu os Magos até Jesus, Luz do mundo. A estrela tem 4 pontas e uma cauda luminosa; as 4 pontas representam os quatro pontos cardeais, de onde vem as pessoas para adorar a grande luz, que é o Filho de Deus. A estrela referencia Jesus, chamado: “a brilhante Estrela da Manhã” (Ap. 22,16). A estrela é colocada na ponta da árvore de Natal, saudando a todos com a luz que ilumina toda escuridão, até o fim dos tempos.

O Anjo é o mensageiro de Deus na história da salvação. É o sinal de que “os céus se abriram e Deus visitou seu povo” (Mt 2,2). O anjo esteve presente no anúncio da Encarnação do Filho de Deus a Maria, explica para José o mistério da Encarnação virginal e volta para anunciar o seu nascimento ao pastores.

Feita a experiência do Natal do Senhor, cada pessoa é chamada a exercer a função de mensageiro da glória de Deus, da paz e da alegria. Assim o mistério do Natal está acontecendo hoje.

Os sinos são símbolos de júbilo e alegria pelas festas de Natal. Com elas se enfeita não só a árvore de Natal, mas também as portas das casas. Várias canções de Natal falam dos sinos como manifestação desta alegria natalina.

Noite Feliz, é uma das canções mais populares da noite de Natal. Foi escrita pelo padre Joseph Mohr e musicada por Franz Gruber em 1818, na cidade de Oberndorg, Áustria, tendo sido executada pela primeira vez na Missa do Galo desse ano na paróquia São Nicolau. Te versões em, pelo menos, 45 línguas. 

O presépio é o mais completo símbolo de Natal. A tradição católica diz que o presépio surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de forma mais realista possível. Com a permissão do Papa, Tomás de Celano, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.  O sucesso dessa representação foi tanta que rapidamente se estendeu pela Itália e por toda a Europa, e, no Brasil, difundiu-se pela iniciativa do frade franciscano Gaspar de Santo Agostinho. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos. A simbologia indica a centralidade do Mistério: o nascimento do Salvador, feito homem.

A Ceia do Natal quer significar que a nossa verdadeira vida é Jesus, o Filho de Deus, que estamos festejando. É o momento em que a família se reúne para celebrar o Natal. Na Ceia, costuma-se colocar no centro, uma vela acesa, para simbolizar o Cristo que nos une em volta de si e que é a nossa Luz. Seu nascimento é motivo de grande alegria, para todas as pessoas de boa vontade, conforme o anúncio e cântico dos anjos.

Todas as comemorações do Natal recebem seu verdadeiro significado somente através da ceia eucarística, ou Ceia do Senhor, ou Missa do Galo. Ela constitui o ponto culminante da festa do Natal e dará sentido a todos os outros símbolos. Nela o Cristo Jesus nasce na comunidade humana através do encontro em assembleia, através da palavra, através da presença sacramental. Deus preparou uma Ceia para a humanidade, onde ele mesmo é o alimento. É a Ceia do Senhor. Na ceia eucarística os cristãos participam da plenitude da Vida que nasce. 

REFERÊNCIAS 

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